Entrámos há dias na Quaresma e, por onde a Fé dos homens ainda se manifesta, começam a realizar-se as Procissões dos Passos...
Por fazer parte das memórias da minha infância, veio-me à lembrança a Procissão dos Passos de Condeixa-a-Nova e toda a tradição envolvente.
E nesse dia, as gentes de Coimbra e arredores invadiam a vila, quer para assistir a acto tão solene, quer para saborear o famoso Cabrito com Grelos, prato de eleição em todas as casas de pasto da época...
Em casa de meus avós o ritual era cumprido várias vezes por ano, e indispensável nesta altura.
Quando já não havia cabritos no curral, compravam-se, em dia de sexta-feira, os que desciam dos lados da serra de Sicó e o senhor João, magarefe de serviço, passava lá por casa para matar o bichinho.
À noite, depois de jantar e de volta da mesa da cozinha iniciáva-se o ritual:
Descascar alhos, pisá-los com sal num almofariz, juntar pingue de preferência caseiro, colorau e pimenta.
Em seguida, envolviam-se os pedaços de carne naquele preparado e dispunham-se numa pingadeira de barro. Assim ficavam até ao sábado à tarde.
Depois do almoço de sábado, o meu avô ia aquecer o forno de lenha, onde depois davam entrada as assadeiras do cabrito e de batatinhas redondinhas e devidamente temperadas. Tudo se ía refrescando com vinho branco até se enalar um delicioso cheiro que não enganava ninguém...
Estava pronto e assim ficava tudo até ao almoço de domingo, em que filhos e netos enchiam a mesa de festa.
Entretanto, e para acompanhar o cabrito assado, não faltavam os grelos de nabo cozidos, de preferência dos amargos, da região de Semide e um delicioso arroz de miúdos!
Tudo tinha um sabor especial...
O nosso país é muito rico em comidas tradicionais...mas estas, de Condeixa, são especiais para mim...
Estou aqui com água na boca, e a sentir o cheiro deste cabrito!
ResponderExcluirE intrigada com nossa língua e as palavras que diferem nossas culturas, como magarefe, grelos ( que aqui, já te contei o que são ), almofariz, pingue, pingadeira...Dá uma aula!
Um grande abraço
Bete
ResponderExcluirOlá!
Aproveito para desejar um bom domingo.
Esse cabrito deve ser uma delícia. Aqui, costumamos cozinhar o borrego, principalmente na Páscoa. Eu faço um ensopado à pastor, é muito bom . Mais tarde vou ensinar como se faz.
Beijo.
Maria
Olá Maria!
ResponderExcluirEspero que partilhe connosco essa delícia de borrego!
Ah...o tempero alentejano é divino...que sabores e que aromas!!!
Um beijo, Amiga!
ResponderExcluirOlá, D. Sofia!
Este cabrito á moda de Condeixa tambem me diz muito, da minha infância! Sou condeixense e por mim tambem passaram essas recordações e outras... Não me diga que tambem é condeixense, quem será?
Um abraço. Maria.
Olá Maria!
ResponderExcluirQuando vou buscar felizes recordações de infância, faço-o na certeza de que "alguém" se há-de identificar com algo semelhante! E esses bons momentos ajudaram a formar as pessoas que somos hoje!
Sim, sou filha de uma família de Condeixa. Saúl de Oliveira Vaio, diz-lhe alguma coisa? Ah! Sofia é pseudónimo...
Um abraço e volte sempre!
Bom ano para todos ....
ResponderExcluirprovei e adorei o cabrito , já fui várias vezes a Condeixa comer esta delicia ...(no RESTAURANTE CABRITO)....aconselho a quem passar por Condeixa não seguir sem provar este delicioso prato...
J.Silvino
Parabéns pela sua escolha!
ResponderExcluirEmbora hoje em dia o bicho já não tenha o sabor de outros tempos, em que eram "caseiros", continua a ser um pitéu que se recomenda e nunca mais se esquece!
Feliz Ano Novo!