Há pessoas que nascem com dons muito especiais. Não é novidade para ninguém.
Sempre admirei o meu Tio Ramiro de Oliveira, pela facilidade com que alinhava as palavras e nasciam lindas e brejeiras quadras populares. Recordo até que, nesta altura do ano de arraiais e fogueiras, não havia concurso de jornal que não ganhasse!
Do imenso rol que se encontra nas páginas do seu livro "Pecados sem Remissão", deixo hoje aqui algumas, dedicadas a São João:
S. João muito obrigado
Por tudo quanto vos devo!
Desde o anel de noivado...
Às folhinhas do meu trevo.
São João não quer que eu reze
Quando lhe falo em casar!...
Mas se eu não defendo a tese
Não me posso doutorar!
Fui tudo p'lo S.João!
Fogueira...chuva de prata!...
Andei no ar, fui balão!
Agora sou a cascata!
Não fossem as orvalhadas
Desta noite de fogueiras
E muitas mulheres casadas
Tinham ficado solteiras!
Não insistas que não posso
Ser só teu nas romarias!...
Há no Terço um Padre Nosso
Para dez Avé Marias!
S.João: diz com franqueza,
Se não é forte capricho
Veres tanta fogueira acesa
E ficares dentro do nicho!
Demos tanto...tanto espanto
Nas fogueiras, que uma vez
Por um milagre do Santo
Fomos dois...viemos três!

Amiga
ResponderExcluirAdorei este seu tio Ramiro, que mais parece um brasileiro, pelo bom humor e "atrevimento" com São João.
E, se ganhava todos os concursos, também aqui no Sabedoria, "estourou" de popularidade. Nunca tivemos tantas entradas aqui, como ontem!
E Viva São João e Tio Ramiro!
Um grande abraço
Bete